Metablogue (III): microtextos

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Desde que descobri a blogosfera tenho andado por aqui num nomadismo intencional, procurando descobrir o que nos leva a inscrever itinerários pessoais num espaço de exposição pública. Muitos blogues têm claramente uma intenção diarística, como o Rui Bebiano, ontem, dizia. O meu, em certa medida, não deixa de ser também confessional. Mas não o serão todos, a partir do momento em que reconstruímos percepções, leituras, representações, visões,  enfim, o que nos cai dos dias, com afectação, muitas vezes paraliterária ou ensaística, porque queremos ser visitados? Mas seja qual for a sua natureza – diário, ficção, ensaio, crítica, opinião, informação, subversão… – aqueles cujo apelo é mais irresistível são os que se põem em andamento convidando para um passeio errático onde, em qualquer momento, se nos apetece, podemos ficar pelas ramas. Nesse sentido serão microtextos, como aqueles que Robert Walser escrevia a lápis para, desse modo, estar mais perto do desaparecimento. Só que nos blogues, ao contrário, existe uma afectação paraliterária de alguém que deseja ser lido, nem que seja, lá mais mais para a frente, apenas pelo autor, enquanto cartografia dos seus dias que passaram. São, ainda, micrototo um remextos, porque, de alguma forma, são representações parcelares, fragmentárias, intermitentes, de um texto maior onde existimos como personagnens que, pelo menos aqui, não escrevem a lápis, porque ao contrário de Robert Walser, seguramente, não procuram o desaparecimento, o eclipse. É que, quase todos, deixamos aberta a porta de entrada de uma Babel em cujos degraus procuramos os comentários dos outros.

  • O ESCREVENTE

    Um blogue de João Ventura® (joaobventura@yahoo.com) «fora das coisas civis e na mais pura região da arte» [Joseph Joubert]
  • Março 2017
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