Petra, cidade perdida

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O crepúsculo, esplendoroso, de tonalidades avermelhadas, derrama-se suavemente sobre a estranha formação rochosa, espécie de abrigo contra a aridez circundante e, ao mesmo tempo, encruzilhada no coração do deserto de Wadi Araba e formidável posto de vigia das caravanas de seda, incenso e outras especiarias que vinham do sul da Arábia desafiando a aridez dos caminhos em direcção ao Egipto e ao sul da Europa. Na antecâmara do estreito desfiladeiro que conduz à misteriosa cidade escavada na rocha num vale entre duas montanhas, já não são os nómadas Nabateus que nos vêm cobrar a passagem ou vender os seus serviços de escolta, mas sim um grupo de beduínos que efusivamente nos propõe o aluguer de cavalos que trotam diante de nós. Recusamos os animais e fazemo-nos à estreita garganta que conduz à cidade perdida de Petra. Nas paredes rochosas do Siq saboreamos a lenta transformação das cores – vermelho, rosa, verde, azul -, recortando no caminho uma fresca tranquilidade que incita e excita os sentidos e a imaginação. Numa curva, parece projectar-se nas paredes de grès vermelho que se erguem em ambos os lados a sombra de uma caravana de camelos guiada por homens de turbante. Alguns pombos assomam em ninhos inexpugnáveis. E de repente, na moldura pétrea do Siq, como uma revelação inesperada após um ritual de passagem, magnificamente escavado na rocha de tonalidades vermelhas e rosa, o primeiro monumento, o Khazneh, testemunhando a antiga prosperidade dos Nabateus. Mas são ainda os beduínos que nos propõem que continuemos de camelo ou de burro. E é de burro que atravessamos o vale onde se encontra o Grande Templo e o principal núcleo de grutas outrora habitadas pelos Nabateus e subimos, depois, os mais de novecentos degraus até Jabal al Deir, como se atravessássemos uma monumental escultura equivalente a toda uma cidade, sempre observados na nossa subida por beduínos que irrompem subitamente dos lugares mais recônditos. 

[P.S. Petra viu há dias, em Lisboa, ser-lhe merecidamente atribuída a menção de uma das sete maravilhas do mundo. Para saber mais sobre a história desta misteriosa cidade eregida no coração do deserto, ver em Petra, cidade perdida .]

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2 comentários

  1. João, recusaste o cavalo e aceitaste o burro. Uma escolha Gassetiana, presumo. E aceita-se também que tenhas subido os 900 degraus, montado no animal mediterrânico.
    Abraço do Helder.

  2. Ou então, porque, embora mais prosaicamente, o burro oferecia-me a segurança negada pelo trote dos cavalos. Para além de estar mais próximo do chão, o que era um argumento de peso.


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