Metablogue (I): do método

 
 
 
Haverá um método para a escrita de um blogue que se pretende metaliterário? Não um método entendido na sua acepção positivista, isto é, sujeito a uma qualquer tentação hermenêutica e a uma vontade de tudo explicar, mas sim como expressão de uma errância através dos labirintos benjaminianos embebidos na tinta dos livros. Esta, portanto, a natureza do método que persigo, enquanto formulação mais ou menos ficcional da minha forma pessoal de me adentrar nos livros que vou lendo e de partilhar com aqueles que por aqui passarem uma certa volúpia que toda a leitura encerra.

Talvez, por isso, o método que Walter Benjamin propõe no seu Livro das passagens seja, também para mim, uma boa escolha para me aventurar blog adentro: «O método deste trabalho: montagem literária. Não tenho nada para dizer. Apenas para mostrar. Não escamotearei nada de valioso nem me apropriarei de formulações espirituosas. Mas os farrapos, o que cai dos dias: esses não vou inventá-los. Vou deixar que afirmem os seus direitos da única forma possível: dando-lhes uso» (W. Benjamin, Das Passagenwerk, fragmento N1a,8).

Formulação ficcional, portanto, porque controlada por uma certa diegese, mas sem pretensões de literatura. Tão só comentários, representações, citações, histórias, imaginários inscritos em anotações, apontamentos ancorados, sobretudo, nos livros que ando a ler e na vida que neles se espelha. Autoficções, portanto.

[Ao alto, fotografia de Roland Barthes]
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