
Programar um teatro decorre, sobretudo, de uma visão do mundo que visa potencializar nos públicos, isto é, em nós próprios, as nossas próprias visões do mundo. Trata-se, portanto, de uma actividade mediadora capaz de estimular o cosmopolitismo, entendido como uma abertura a outros os mundos, a outras possibilidades estéticas, promovendo a circulação de ideias, a criação de imaginários através dos quais uma comunidade se espelha e se revitaliza.
Como se traduz, então, isto, na programação imaginada para este primeiro trimestre de um TEMPO que aí vem? Desde logo, abrindo o espaço do Café Concerto, num ambiente informal propício à conversa e convivialidade, a um TEMPO de músicas urbanas (Jazz, Flamenco, Fado…), mas também à palavra poética escrita e dita n´A Companhia dos Livros acolhidos numa Biblioteca Inconstante cujo primeiro bibliotecário será Gonçalo M. Tavares, o autor do romance-ensaio Jerusalém que poderemos ver numa versão dramatúrgica de O Bando. E, depois, convocando a criação artística e o associativismo local a integrar a programação, confrontando projectos e experiências artísticas locais – A Gaveta, a ACTA, o Adágio, a Arte & Fictio, o ICIA, o acordeonista Gonçalo Pescada, o pianista Luís Conceição – com o que vem de fora. Também, através de propostas inovadoras pensadas para as escolas, o público jovem e as famílias, como O Pinguim Sem Fraque e A Cabra e o Lobo. Ainda, através da música, primeiro com os Deolinda que trazem essa espécie de fado garrido que até pode ser dançado; e, depois, com um inédito espectáculo de jazz coreografado por Carlos Martins. E através do novo-circo, com João Paulo Pereira dos Santos, acrobata do mastro chinês, e Rui Horta, coreógrafo, que confrontarão os universos singulares de que alimentam. E, finalmente, no Festival Fervor de Buenos Aires (numa primeira colaboração com o CCB) – inaugurando um ciclo plurianual do TEMPO dedicado às Cidades Invisíveis, inventadas através da literatura – indo nos passos de Jorge Luís Borges à descoberta de uma cidade fervorosa que daremos a conhecer através da sua literatura, da sua música passageira, do seu teatro mais surpreendente, do seu novo cinema. Porque neste TEMPO que aí vem aquilo que interessa é o que o espectador vê.
2 Comentários
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Fica-se com pena de não estar em Portimão
espero o tempo…..de ir….aí.
beijo.
simples. simplesmente.