Se havia alguém que pudesse «ser terrível, nostálgica, desesperada e furiosamente moderno no interior da pós-modernidade em que todos vivemos», esse alguém, mais do que qualquer outro, era Eduardo Prado Coelho. Por isso, o seu percurso intelectual caracterizou-se por uma insaciável curiosidade, uma quase incontrolável necessidade de testar e desafiar convenções através de uma escrita iluminante, fosse [...]
Agosto 27, 2007
Categorias: contra a interpretação . . Autor: João Ventura . Comentários: 2 Comentários
O que procuro nos jornais, nas televisões? Talvez uma certa forma de, expeditamente, apanhar o que cai dos dias. Ou, dito de outro modo, uma certa forma de entrar pela «janela» da actualidade que deveria permitir olhar para lá do horizonte da informação dita «objectiva». Porque no jornalismo, como na literatura também, e não apenas, a [...]
Agosto 24, 2007
Categorias: o estado do mundo . . Autor: João Ventura . Comentários: 2 Comentários
No bairro de Kerem Avraham, em Jerusalém, onde Amos Oz cresceu, muitos eram tolstoianos invertebrados, «barbas brancas ao vento», «tolstoischkis» caídos de um romance de Dostoievsky: «torturados, faladores [...], idealistas atormentados, mas todos trabalhavam efectivamente para Checov» (pág. 9). Eram funcionários, escritores, enfermeiras, utopistas, tradutores, pequenos comerciantes, bibliotecários, empregados de escritório, ideólogos, logistas, intelectuais constrangidos a executar trabalhos ingratos [...]
Agosto 21, 2007
Categorias: contra a interpretação, o estado do mundo . . Autor: João Ventura . Comentários: 1 Comentário
«… justamente naquela noite principiava para ele a irremediável fuga do tempo. [...] E assim se prossegue caminho numa esfera confiante, e os dias são longos e tranquilos, o Sol brilha alto no céu e parece nunca ter vontade de chegar ao ocaso. Mas a certa altura, quase instintivamente, voltamo-nos para trás e vemos que [...]
Agosto 18, 2007
Categorias: contra a interpretação . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
Por analogia com o seu homónimo que procurava o desaparecimento, o eclipse, este Walser [O Senhor Walser, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2006] é mais dado ao recato que os primeiros povoadores do Bairro. Por isso, manda construir a sua casa «a uns bons quilómetros do bairro mais próximo», no que se assemelha ao Walser-outro, também ele instalado numa casa [...]
Agosto 9, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
Agora a taberna. O Senhor Henri [Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2003]. O absinto. O álcool como estímulo, fonte de inspiração literária. Pessoa bebendo um copo de aguardente no Abel Pereira da Fonseca. O vinho de Goethe. A tequilla de Malcolm Lowry. O whisky de José Cardoso Pires. «É preciso estar absolutamente bêbado», declarou Baudelaire. E Rimbaud que dizia «sobretudo, [...]
Agosto 9, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
As historietas protagonizadas pelos inquilinos do Bairro parecem apropriadas para crianças. E são. Para as crianças que ocultamos em nós. Mas são mais do que isso se acreditarmos, como Paul Valéry, que o «infinito é bem pouca coisa; é uma questão de escrita [e que] o universo só existe no papel». Em O Senhor Valéry [Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2002], talvez [...]
Agosto 9, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
Enrique Vila-Matas diz que se trata de «um bairro portátil, uma espécie de Chiado literário que jamais arderá». Por isso, ao entardecer, decido-me passear, sem mapa, a partir da Baixa em direcção ao Chiado, observando a geométrica distribuição das ruas, os letreiros das lojas, o vendedor de castanhas, alheio à certeza de Pessoa já não andar por ali. «Amanhã» – escreveu – «também [...]
Agosto 1, 2007
Categorias: contra a interpretação . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário