O poeta derrama o corpo e as emoções na praia do poema onde se espraiam «as coisas contemporâneas» e se escuta o «som do mundo» que ecoa nos versos que escreve e na recordação dos versos de outros poetas. A infância, a memória, os amigos, a perda, a eternidade da morte. A experiência do tempo [...]
Maio 25, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
É, talvez, o mais profícuo dos escritores portugueses. O mais anti-bartlebyano de todos, contra exemplo do escrevente Bartleby, aquele empregado de escritório de um conto de Herman Melville, que inspirou Enrique Vila-Matas a escrever Bartleby & Companhia, espécie de diário-ensaio sobre os escritores que renunciaram à escrita para melhor poderem se afirmar. A ele se deve, ainda, a recuperação de [...]
Maio 24, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: 2 Comentários
No post anterior, a propósito de Mértola e da sua excentricidade, evoquei de passagem o romance O perfumista, de Joaquim Mestre [Oficina do Livro]. Na 6ª feira, em conversa com a Lídia Jorge, falou-se do seu primeiro livro O dia dos prodígios, do seu ambiente onírico, telúrico, e não pude deixar de pensar que o livro de Joaquim [...]
Maio 22, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Comentários Desligados
Ainda hoje a paisagem à volta de Mértola é «árida, coberta de lousas tristes e nua de arvoredo». Mas para a alcançar já não é preciso subir o Guadiana a favor das marés, ou bolinando contra ventos traiçoeiros em frágeis embarcações que traziam brocados e especiarias desde Tunis, Siracusa ou Alexandria e regressavam, depois, com [...]
Maio 18, 2007
Categorias: das cidades nervosas . . Autor: João Ventura . Comentários: 1 Comentário
Hoje, um post num registo diferente dos que têm caído aqui. Atrevo-me a dizer que sobre outro tipo de literatura, a literatura audio-visual «pós-moderna» da qual não sou propriamente um aficcionado, até porque as minhas horas diante do pequeno ecrã, tenho-as ocupado ultimamente a rever em DVD os clássicos de cinema que vão chegando. E não só, revi em [...]
Maio 18, 2007
Categorias: os livros em volta . . Autor: João Ventura . Comentários: Deixe um comentário
O Senhor Walser é o mais recente inquilino do Bairro que Gonçalves M. Tavares vem povoando, correspondendo a um programa de «alojamento» ficcional de contornos lúdicos com avatares filosóficos de escritores famosos. Trata-se agora da saga doméstica do Senhor Walser, numa clara evocação do escritor suiço Roberto Walser que cultivou um estilo de vida e uma [...]
Maio 16, 2007
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No ventre de uma oficina de carpintaria há um cemitério de pianos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que procuram esse refúgio, não está morto, mas apenas suspenso no tempo. Lugar recatado de iniciação sexual, gritos de amor e esconderijo de adúlteros; exílio voluntário de leituras clandestinas onde se soltam pensamentos; confessionário de mortos; pátio [...]
Maio 11, 2007
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Herisau, dia de Natal de 1956. Entre faias e abetos, na ladeira que desce do Schochenberg, um homem jaz no chão, confundindo-se com o deserto branco que o rodeia. A neve é o mais perfeito esconderijo. Antes, depois de ter almoçado no sanatório, errara durante horas até ao coração do bosque, perdido. Ao longe, talvez, o toque lamentoso de um sino. A cabeça está apoiada sobre [...]
Maio 9, 2007
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«Dans le port d’Amsterdam / Y a des marins qui meurent/ Pleins de bière et de drames/ Aux premières lueurs/ Mais dans le port d’Amsterdam/ Y a des marins qui naissent/ Dans la chaleur épaisse/ Des langueurs océanes…», este o primeiro porto do território de nostalgia por onde errámos com Ute Lemper, no Sábado, em Faro, [...]
Maio 7, 2007
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Há em Havana uma rua, a 23, que desce para o mar. Talvez, por isso, o troço final que desemboca no Malecón se chame La Rampa. Desci essa rua que mergulha no mar muito antes de alguma vez ter ido a Havana e de ter sentido o aroma achocolatado dos charutos cubanos. Subi-a e desci-a vezes sem [...]
Maio 4, 2007
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Suprema ironia a de acordar, na madrugada, com o apito seco e cortante de um combóio que, afinal, partiria sem ele deixando-o com a sua solidão no cais de embarque. «O primeiro combóio para Lisboa», tinha-lhe recomendado a senhora Fittko quando se despediu dele, em França. Mas, mais uma vez as suas asas incertas de borboleta nocturna [...]
Maio 2, 2007
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