
Na edição espanhola da revista Granta leio alguma páginas do Diário de Susan Sontag que me fazem retomar a breve reflexão do meu primeiro post em torno da motivação e do método deste blogue.
Por que é importante escrever? Sobretudo por egoísmo, suponho. Porque quero ser essa personagem, um[a] escritor[a], e não porque haja algo que deva dizer. Mas por que não também por isso? Com um pouco de construção do ego – como mostra o “fait accompli” destes [blogues] – emergirei lá mais para a frente com a confiança de que tenho algo a dizer, algo que deve ser dito.
Descontando qualquer veleidade literária, pois não pretendo confundir-me com essa personagem, esse escritor, talvez, apenas, com o escrevente de que falava Barthes, se adoptar esta anotação de Susan Sontag, estarei, afinal, a dizer que, apesar de só querer mostrar, também, desejo ter algo a dizer. Mas um dizer que é feito do que cai dos dias, muitas vezes, refeito a partir de palavras dos outros que aqui se mostram como despojos, como é o caso deste próprio post. Portanto, montagem literária, como construção do ego, mas que só valerá a pena se for reconhecida a sua pertinência, em termos de aproximação aos que me poderão ler, sobretudo os amigos, e como marcação quase diarística, embora não confessional, de um certo percurso do autor.
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Óbvio reconhecimento…
….profunda vénia.
A.