Haverá um método para a escrita de um blogue? Esta a pergunta que me coloco quando decido atravessar a janela que me leva a este lado de dentro blogosfera. Não um método entendido na sua acepção positivista, mas, sobretudo, como uma expressão de trajecto, de caminho através da passagem dos dias, guardando o que cai desses dias para que não se perca tudo num tempo que se esgota sem deixar marcas. Esta a natureza do método que procuro, enquanto formulação ficcional, porque contada a alguns, talvez poucos, da minha forma pessoal de apropriação dos dias que passam e do que deles vai sobrando. Exercício de anotação, portanto, de parcelas de uma experiência pessoal que o autor quer guardar, talvez, apenas, para uso próprio, ou para uso, quando estes quiserem, dos seus amigos. Exercício, ainda, de marcação de um trajecto que o autor quer mapear, talvez, para não se perder no nevoeiro dos dias que correm e poder, assim, reconstituir, no futuro, pelo menos em parte, o que ficou dos dias que passaram. Talvez, por isso, o método que Walter Benjamin propõe no seu Livro das passagens seja, também para mim, uma boa escolha para me aventurar dias adentro: O método deste trabalho: montagem literária. Não tenho nada para dizer. Apenas para mostrar. Não escamotearei nada de valioso nem me apropriarei de formulações espirituosas. Mas os farrapos, o que cai dos dias: esses não vou inventá-los. Vou deixar que afirmem os seus direitos da única forma possível: dando-lhes uso (W. Benjamin, Das Passagenwerk, fragmento N1a,8, citado Joao Barrento em Escrito a lápis, espécie de carta de marear pelo universo benjamiano).
Formulação ficcional, portanto, porque controlada por uma certa diegese, mas sem pretensões de literatura. Tão só olhares, opiniões, comentários, representações, transcrições, histórias, imaginários, ideias inscritas em anotações, apontamentos breves ancorados, sobretudo, nos livros que ando a ler, nos filmes que vejo, nos palcos que, às vezes, frequento. Fragmentos dos dias que passam aqui reutilizados como interpelação partilhada do meu pequeno mundo e, no que houver de comum entre o meu mundo e o mundo dos outros, sobretudo dos amigos, como desejo de aproximação, simultaneamente, racional e afectiva.
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